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Como lixar madeira, do grão ao acabamento

Atualizado em 20/set

Lixar é a etapa que decide como a peça vai ficar depois de envernizada, e quase todo defeito que aparece no acabamento já estava ali antes, escondido no pó claro. O risco atravessado, o grão pulado e a lixa gasta só cobram a conta quando o produto molha a fibra e a madeira escurece.

Este guia junta o que os fabricantes de lixa e de lixadeira publicam sobre gramatura, sentido da fibra, tipo de máquina e controle de pó. Cada número aqui tem nome e endereço: a Norton, que é da Saint-Gobain, publica as faixas de grão em três guias; a Bosch publica uma tabela de grão por tarefa dentro do manual das lixadeiras; a Makita publica a ficha das máquinas de cinta; e a 3M publica o boletim técnico dos respiradores.

Quando as fontes discordam, e neste assunto elas discordam bastante, o texto mostra as duas versões em vez de escolher uma e apresentá-la como verdade única.

Passo a passo

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    Comece pelo estado da peça, e só depois escolha o grão

    O primeiro grão depende do que está na sua frente. Tábua serrada, com marca de plaina ou de serra, e peça com tinta ou verniz velho por cima pedem grão agressivo: a Bosch coloca o lixamento de madeira e a remoção de tintas e vernizes antigos na faixa P60 a P100, na tabela de utilização do manual da GEX 185-LI. A Norton chama essa faixa de grossa e a descreve como a de desbaste, de remoção de material. Peça de marcenaria que já sai lisa da loja é outro caso: começar no grão grosso ali é criar um risco fundo que você vai levar três lixas para tirar.

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    Suba de grão sem pular degrau, e saiba por quê

    Cada grão tem uma tarefa só: apagar o risco que o grão anterior deixou. Pule um degrau e a lixa fina passa a vida raspando dentro de um sulco que ela não consegue fechar, porque o abrasivo dela é pequeno demais para alcançar o fundo. A Norton publica a régua em porcentagem: a próxima lixa não deve ter mais de 50% do grão da anterior, e o exemplo que ela mesma dá é começar em #80 e ir para #120 no máximo. Daí para frente a progressão que a Norton sugere é 150, depois 180, depois 220, e 360 ou 400 se o trabalho pedir.

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    Entenda por que as tabelas de gramatura não batem entre si

    A Norton publica três recortes diferentes em três guias diferentes. Num deles, grossa é #40 a #50, fina é #80 a #120, acabamento é #150 a #220 e microfina vai de #240 a #3.000. Noutro, grossa é #16 a #80, média é #100 a #220 e fina começa em #240 e vai até #5.000. Num terceiro, grossa é 40 a 60, média é 80 a 120, fina é 150 a 180 e extrafina é tudo acima de 220. A Bosch resolve o mesmo problema por outro caminho: em vez de faixas, publica a tarefa. Lixar madeira, P60 a P100. Lixar madeira e laminado antes do envernizamento, P120 a P180. Lixamento fino de madeira e de arestas de madeira maciça e folheada, P150 a P180. Lixamento intermediário de verniz, P220 a P280. Verniz em superfície e aresta decapadas, P240 a P320. Na prática a tabela da Bosch é mais fácil de seguir, porque ela pergunta o que você vai fazer em vez de pedir que você classifique a lixa.

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    Lixe no sentido da fibra, sempre

    O manual da lixadeira de cinta GBS 750 é direto: lixe no sentido das fibras, porque marca de lixamento na transversal deixa um efeito indesejado na superfície. A Norton vai mais longe e classifica o lixamento contra os veios como um dos piores erros possíveis. O motivo de isso só aparecer depois é o comportamento do risco: ele corta a fibra em vez de acompanhá-la, fica enterrado sob pó da mesma cor da madeira e passa despercebido na peça crua. Quando o verniz molha a superfície, a fibra cortada absorve mais produto que o resto e o traço atravessado sai escuro, riscando a peça inteira.

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    Escolha a máquina pelo movimento do prato

    São três movimentos e três serviços. A orbital, ou vibratória, move o prato num círculo pequeno sem girar: a Bosch GSS 140-1 A faz 24.000 oscilações por minuto num círculo de oscilação de 1,6 mm, com prato de 110 mm por 100 mm, e a própria Bosch a indica para superfícies planas pequenas, lixamento intermediário e acabamento. A roto-orbital soma rotação ao mesmo movimento: a GEX 125-1 AE gira de 7.500 a 12.000 rpm enquanto oscila de 15.000 a 24.000 vezes por minuto, com círculo de oscilação de 2,5 mm, excentricidade de 1,25 mm e disco de 125 mm, e a Bosch a indica para lixamento, lixamento intermediário, remoção de verniz e acabamento. A de cinta é de desbaste: a GBS 750 roda uma cinta de 75 mm por 533 mm de 200 a 420 m/min, com 850 W e 3,6 kg, e a Bosch a indica para lixar painéis grandes de madeira macia e dura, MDF e toras. A Makita 9910 é da mesma família, com cinta de 76 mm por 457 mm, 270 m/min, 650 W e 2,6 kg.

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    Deixe o peso da máquina trabalhar

    Os dois manuais da Bosch dizem a mesma coisa com palavras parecidas, o que é um bom sinal de que o assunto é sério. Na lixadeira de cinta: trabalhe com a mínima força de pressão possível, porque o peso próprio da ferramenta já basta para um bom rendimento de desbaste, e pressão demais não melhora o desbaste, apenas desgasta a máquina e a cinta. Na roto-orbital: aumento excessivo da força de pressão não traz mais desbaste, traz mais desgaste da ferramenta e falha prematura da folha de lixa. O manual da cinta ainda descreve o caminho do movimento: avanço moderado, em pistas paralelas e sobrepostas.

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    Saiba onde parar

    Existe um ponto em que continuar lixando não melhora nada. A Norton dá o sinal pelo tato: o processo termina quando a superfície inteira não apresenta variação perceptível ao toque. A tabela da Bosch dá o sinal pelo número: para madeira, o lixamento fino dela encerra em P180, e os grãos acima disso aparecem na tabela só nas linhas de verniz, P220 a P280 e P240 a P320. A Norton, nos guias de madeira, segue subindo até 220 e mais. Os dois caminhos são defensáveis, e a divergência importa: se a madeira ficar espelhada demais, ela recebe menos produto, porque o poro fechado absorve menos. O jeito de conferir sem depender do tato é olhar a peça contra uma luz baixa e bem inclinada, quase rente à superfície, que é quando o risco projeta sombra. Nenhum dos fabricantes consultados publica esse teste; o que a Norton publica é o teste do tato.

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    Molhe a peça antes do acabamento à base de água

    Acabamento à base de água encharca a fibra e a faz levantar, e a peça que estava lisa fica áspera depois da primeira demão. Adiantar esse levantamento resolve. O que os fabricantes consultados publicam sobre isso é o seguinte: a Norton manda passar um pano úmido antes de aplicar o verniz, e explica esse passo como limpeza, para tirar o resto de pó e deixar a superfície pronta para receber o produto. A Bosch publica o lixamento intermediário de madeira e laminado antes do envernizamento, na faixa P120 a P180. Juntando as duas instruções você tem o procedimento completo: pano úmido, espera até secar, e uma passada leve no último grão para derrubar a fibra que subiu. Vale registrar que nenhum dos fabricantes consultados publica esse procedimento com esse nome.

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    Trate o pó como a parte perigosa do serviço

    Esta é a parte que quem lixa em casa mais ignora, e a que os fabricantes mais documentam. O manual da Bosch abre a seção de aspiração com uma frase curta: evite trabalhar sem medidas de redução de pó. Segundo a Bosch, um dispositivo de aspiração ou uma caixa ou saco de pó adequados reduzem a exposição nociva, o local de trabalho precisa de boa ventilação e a proteção respiratória adequada deve ser usada sempre. A Bosch informa ainda que pó de carvalho e de faia é considerado cancerígeno, principalmente junto com substâncias de tratamento da madeira como cromato e preservantes, e recomenda máscara com filtro da classe P2. Quando o pó for cancerígeno, extremamente nocivo ou seco, o manual manda usar aspirador especial. A Norton, pelo lado dela, lista óculos, luvas, avental e máscara semifacial, ambiente ventilado e aspiração do pó sempre que possível. Nada disto é orientação de saúde: é o que cada fabricante escreve no próprio material, e vale ler a fonte antes de comprar qualquer coisa.

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    Ligue a máquina fora da peça e espere ela parar antes de apoiar

    O manual da GBS 750 instrui a colocar a ferramenta já ligada sobre a superfície a trabalhar. O manual da GEX 185-LI instrui a esperar a ferramenta parar por completo antes de depositá-la. As duas frases descrevem o mesmo cuidado em pontas opostas do serviço, e a razão é simples: durante a partida e durante a parada o abrasivo trabalha num ponto só, enquanto a máquina acelera ou desacelera sem que você a esteja movendo. O manual da roto-orbital acrescenta que a ferramenta não deve ser inclinada, para não atravessar a peça, o que importa muito em folheado.

Dicas

Erros comuns a evitar

Perguntas frequentes

Por qual grão devo começar?

Depende do estado da peça. A Bosch coloca o lixamento de madeira crua e a remoção de tinta ou verniz antigo na faixa P60 a P100. Se a peça já está lisa e você só quer preparar para o acabamento, a mesma tabela indica P120 a P180 para lixar madeira e laminado antes do envernizamento. A Norton descreve as faixas mais grossas como as de desbaste e remoção de material, e não como ponto de partida obrigatório.

Até que grão vale lixar madeira antes do verniz?

As fontes divergem, e essa divergência é real. A tabela da Bosch encerra a madeira em P150 a P180 no lixamento fino, e só usa grão acima disso nas linhas de verniz, P220 a P280 e P240 a P320. Os guias de madeira da Norton seguem subindo: falam em 180, 220 e até 360 ou 400 conforme o trabalho. Quem preferir a régua da Bosch para o cru e a da Norton para as demãos de acabamento está seguindo as duas ao pé da letra.

Qual a diferença entre lixadeira orbital e roto-orbital?

O movimento. A orbital só oscila: a Bosch GSS 140-1 A faz 24.000 oscilações por minuto num círculo de 1,6 mm, e a marca a indica para superfície plana pequena, lixamento intermediário e acabamento. A roto-orbital oscila e gira ao mesmo tempo: a GEX 125-1 AE combina de 7.500 a 12.000 rpm com 15.000 a 24.000 oscilações por minuto, num círculo de 2,5 mm, e a Bosch a indica também para remoção de verniz, o que é serviço mais pesado.

Lixadeira de cinta serve para acabamento?

A aplicação que a Bosch declara para a GBS 750 é lixar painéis grandes de madeira macia e dura, MDF e toras, além de remover ferrugem de metal, com cinta correndo de 200 a 420 m/min. É máquina de tirar material. O manual acrescenta que, quanto maior a velocidade da cinta, maior o desbaste, e o acabamento fino aparece na tabela da marca nas máquinas de oscilação, não nesta.

Que proteção os fabricantes indicam para o pó de lixamento?

A Bosch recomenda, nos manuais dela, aspiração de pó, boa ventilação do local e máscara de proteção respiratória com filtro da classe P2, e informa que pó de carvalho e de faia é considerado cancerígeno, principalmente junto com cromato e preservantes de madeira. A Norton lista óculos, luvas, avental e máscara semifacial, com aspiração sempre que possível. A 3M publica no boletim técnico dos respiradores dela que poeira de lixamento está entre as aplicações previstas, com eficiência mínima de 94% na classe PFF-2(S). Isto é o que cada fabricante publica, e não orientação de saúde.

O saco coletor da máquina resolve, ou preciso de aspirador?

A Bosch trata os dois como medidas de redução de pó e manda limpar a caixa e o elemento filtrante com frequência para a aspiração continuar funcionando. Para o aspirador externo, ela publica requisitos concretos na GEX 185-LI: mangueira de 35 mm, vácuo de pelo menos 230 mbar, fluxo de pelo menos 36 l/s e filtro de classe de pó M. E manda usar aspirador especial quando o pó for cancerígeno, seco ou extremamente nocivo à saúde.

Conclusão

Lixar bem é uma sequência curta e chata que ninguém pode atropelar: grão certo para o estado da peça, um degrau de cada vez, sempre no sentido da fibra, com a máquina apenas conduzida em vez de empurrada, e o pó saindo da oficina em vez de ficar no ar.

Para quem está montando a primeira bancada em casa, a roto-orbital é a máquina que cobre mais etapas sozinha, porque as fichas da Bosch colocam lixamento, lixamento intermediário, remoção de verniz e acabamento na mesma ferramenta. A orbital faz sentido como segunda máquina, para acabamento em superfície plana pequena. A de cinta só entra quando existe material de sobra para tirar, como painel grande, tábua bruta ou piso.

E se você for guardar uma frase só deste guia, guarde a que a Bosch escreve no manual: evite trabalhar sem medidas de redução de pó. Lixa errada estraga a peça, e o pó é o único item desta lista que não dá para lixar de novo depois.

Redação Lyptus

Time que escreve o Lyptus. Juntamos o que o fabricante declara na ficha técnica com o relato de quem já comprou a ferramenta, para apontar qual modelo serve a cada tipo de oficina caseira e ensinar o manejo correto de cada uma.

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